Lula, no STF, renova compromisso com a democracia

Em discurso na abertura do Ano Judiciário no STF, o presidente Lula considerou que o que aconteceu no Brasil, o vandalismo do dia 8 de janeiro, se deveu à descrença na política pelo povo brasileiro, no Congresso Nacional, no Executivo, e em todos os lugares. Segundo Lula, ele iria aproveitar a oportunidade da solenidade para dizer que “nunca mais alguns devem ousar duvidar da política desse país, ou desacreditar da política”. Aproveitou a presença dos representantes do Judiciário para estabelecer como vai ser a política de seu governo: “O poder Executivo estará à disposição do Superior Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça para o diálogo e a construção de uma agenda institucional que aprimore a garantia e a materialização de direitos nesse país”. E renovou mais uma vez seu compromisso com a Democracia.

No STF, a presidente Rosa Weber fez discurso em favor da Democracia

No STF, ainda em reforma depois da quebradeira do dia 8 de janeiro, a presidente Rosa Weber ressaltou que a Democracia segue forte contra o que classificou de “turba insana movida pelo ódio”. Assegurou que todos os agressores serão identificados e punidos, e que aqueles não conseguiram destruir o espírito da democracia. “Não o subverteram”, declarou de maneira contundente. A ministra entrou visivelmente emocionada no plenário da Casa, já plenamente restaurado, depois da ação dos vândalos. Recebeu o presidente Lula, embaixadores, dezenas de autoridades, jornalistas, e foi aplaudida de pé depois de suas palavras. O Ano do Judiciário está retomado, e o respeito pelo Superior Tribunal Federal foi restabelecido grandiosamente.

Boca torta

O uso do cachimbo faz a boca torta. O velho ditado popular cai como uma luva sobre a nova presidente da Funarte, a vereadora do PSOL de Salvador Maria Marighella, que em entrevista ao jornal O Globo mencionou haver no país “entulho autoritário” por superar. Este foi um termo muito popular em meados dos anos 1980, quando a democracia foi restaurada no país, tendo caído em desuso nas décadas seguintes por razões óbvias. Assumir uma função pública e servir de cara café requentado não parece ser um início alvissareiro.

Brasília em dia de política

Brasília amanheceu ontem respirando política. Política desses tempos de hoje. Muita polícia, helicópteros, blindados, esplanada fechada para acesso à praça dos Três Poderes. Afinal, houve a abertura do ano do Judiciário. Posse dos deputados e senadores eleitos. Em todos os espaços, uma tentativa de controle da entrada de pessoas para assegurar o máximo de segurança, nas solenidades que aconteceram. A abertura do Ano Judiciário, que sempre foi uma solenidade simples, se transformou em mais um desagravo contra as agressões ocorridas no dia 8 de janeiro, que depredaram as sedes do Congresso, do STF e do Palácio do Planalto.

Na mosca. Esta plataforma sempre afirmou que Rodrigo Pacheco seria reeleito

Ontem, o senador do PSD de Minas Gerais, Rodrigo Pacheco, foi reeleito presidente do Congresso Nacional. O grande derrotado é o bolsonarismo. Detalhe é que logo após a reeleição, Rodrigo recebeu um telefonema de parabéns do presidente Lula. Na eleição, o comentário hilário foi sobre dois patetas no plenário do Congresso que aponta o senador Eduardo Girão do Ceará e o senador Izalci Lucas do PSDB do DF. Gritaram, tumultuaram, mas não têm nem votos, nem prestígio, foram eleitos os dois patetas da eleição do Senado.

Na mosca II

Essa plataforma também desde a primeira hora adiantou que o deputado federal Arthur Lira seria reeleito presidente da Câmara como aconteceu ontem. O que se vê é que Lira, que hoje é adversário do ex-presidente Jair Bolsonaro, está muito mais alinhado ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O fato é que o bolsonarismo nos dois primeiros grandes teste naufraga. Muitos deputados e senadores e até governadores entendem que o mundo é outro e observam que, através de ações e declarações, o capitão continua preocupando a todos, mas não retorna ao Brasil com medo de ser preso, já que vai enfrentar uma infinidade de processos. Ele vai entrar para a história brasileira, uma vez que é o primeiro presidente do país que teve mais de 90 pedidos de impeachment, que bem demonstra que ninguém confia mais nele.

A decisão que pode mudar a vida dos Yanomami

O presidente Lula chamou para si a responsabilidade pelo território dos Yanomami. Em reunião com sete ministros de seu governo, Lula determinou ações que realmente vão fazer a diferença para a vida dos povos indígenas. A principal e mais cobrada pelas lideranças dos povos originários é o controle do espaço aéreo e fluvial na região. Ao impedir o transporte aéreo que abastece os grupos criminosos e fiscalizar o acesso de pessoas estranhas dentro dos territórios Yanomami, será possível diminuir as doenças disseminadas dentro das aldeias. Os ministros terão que, cada um dentro de sua responsabilidade, atuar com as lideranças indígenas para cuidar de forma permanente da saúde, da distribuição de água potável, alimentação adequada, remédios e um hospital permanente dentro da região. Haverá ainda proteção integral para as equipes de saúde. O que se viu até hoje são garimpeiros que expulsam os agentes de saúde, destroem os equipamentos, roubam os medicamentos, ocupam os postos de saúde e transformam as pistas de pouso oficiais em pistas exclusivas para as aeronaves dos garimpeiros. Com essas determinações do presidente, será possível sair da crise humanitária a que o Brasil se viu exposto, ao mundo inteiro, nos últimos dias. As Forças Armadas terão papel fundamental nesse controle. Tarefa difícil. Mas é preciso resgatar a soberania nacional e salvar os Yanomami que sozinhos seriam dizimados.

Vai começar a guerra de versões sobre a atuação dos garimpos ilegais

Ninguém que conhece um pouco das histórias das terras Yanomami e o descaso dos governos em relação a essas terras no estado de Roraima acredita que vai ser fácil cumprir a decisão tomada ontem pelo presidente Lula de acabar com os garimpos ilegais nas terras dos indígenas brasileiros. Já começaram a circular na imprensa as “versões” dos grupos econômicos que exploram de forma criminosa, ouro, cassiterita e diamante. Os governos brasileiros há anos fazem vista grossa às invasões. Quase sempre lucram politicamente ou até mesmo economicamente. Muitos políticos da região e fora dela são sócios das empresas que exploram as riquezas naquelas terras. Portanto, já era esperado que viria aí a defesa dos garimpeiros, usando, como sempre, os humildes que vivem na região.

Convulsão social. Sempre o mesmo argumento

As empresas mineradoras e seus porta-vozes já começaram a reagir. Agora, os garimpeiros são pessoas humildes, os empresários ricos muito poucos, e para salvar o povo Yanomami, vão jogar no limbo milhares de pequenos garimpeiros e suas pobres famílias. Os argumentos de sempre. E, por causa deles, os povos Yanomami vão sendo esmagados, o governo se esquiva de resolver os problemas pela pressão econômica dos de sempre. Há um verdadeiro problema: os garimpos são ilegais, já cooptaram muitos indígenas, os rios estão contaminados, não existe sequer água potável e os garimpeiros enfrentam os indígenas e as autoridades brasileiras. Ontem, Lula afirmou para o chanceler alemão Olaf Scholz: “Não permitiremos mais garimpos ilegais nas terras indígenas”. É acompanhar pra ver.

Tamanho Família

A indicação da ex-primeira-dama Aline Peixoto para uma vaga no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) não é uma obra “Tamanho G”, como gostava de gabar a publicidade do governo da Bahia no tempo de Rui Costa. É “Tamanho F”, de família mesmo, para garantir o sustento perene da prole quando chegar o tempo das vacas magras.

Capitão do garimpo 

O Godzilla verde e amarelo não volta tão cedo ao Brasil. Já não estava propenso a voltar, agora, após determinação do Ministro Barroso, do STF, para apurar possível participação de autoridades do seu governo na prática de crime de genocídio contra o povo Yanomami, é que ele não volta mesmo. Bolsonaro está nu. Matéria no Fantástico, da Rede Globo, no último domingo, expôs, com riqueza de imagens e detalhes, a sucessão de atos criminosos cometidos por seu governo contra esse povo ancestral. Bolsonaro juntou-se aos garimpeiros, maus produtores, grileiros, madeireiros ilegais, invasores de terras indígenas dos mais diversos e passou quatro anos destruindo o que via pela frente. Celerados, ele e seus comparsas, se locupletaram: vencemos a parada. A Amazônia é nossa.

Capitão do garimpo II

Vale lembrar que o capitão foi cirúrgico quando aparelhou a Funai, o Ibama, o ICMbio, o Inpe e colocou em muitos desses órgãos policiais militares. Alardeou em alto e bom som para quem quisesse ouvir que iria criar várias Serras Peladas na Amazônia. E criou. Bolsonaro ignorou sistematicamente todos os alertas, brigou com os números, mandou exonerar quase todos os superintendentes regionais do Ibama. Junto com seu Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, solidarizou-se com o que havia de pior na região, desmontou o Fundo Amazônia e colocou o gabinete do ódio para manipular informações, divulgar dados falsos ou meias verdades. Uma devastação estudada e montada meticulosamente. O objetivo era claro: destruir os povos indígenas. E apossar-se de suas terras. Provocou traumas e danos, alguns irreversíveis, mas não logrou a extinção.

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